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Quinta, 06 Janeiro 2011

Sobre mães, doces e o acaso

Creio que, não só a minha, mas todas as mães do mundo cultivam o hábito de repetir à exaustão histórias sobre nossas infâncias. Contam-nas uma, duas, dez vezes até que estejam gastas. É fato que muitas delas já não aguentamos ouvir pela décima, vigésima vez. Mas há sempre aquelas pelas quais guardamos um carinho especial e que nos agrada escutar novamente ainda que já saibamos de cor cada detalhe. Eu tenho pelo menos uma assim. Gosto quando minha mãe relembra o dia em que me levou, lá pelos três anos de idade, a um festival de doces (ou de escultura em açúcar, nunca sei ao certo) no antigo Rio Palace Hotel, na Avenida Atlântica. Adoro quando ela fala do brilho nos meus olhos, do meu entusiasmo, da minha excitação, eu que mal me equilibrava sobre os próprios pés naquela época... Talvez haja algum exagero na história. Mães são dadas ao exagero. Mas gosto de acreditar que foi assim. E sempre digo a ela: “viu? Nada é por acaso. A culpa é sua, foi você que plantou em mim essa semente”.

E foi com essa história na cabeça que, há algumas semanas, cruzei as portas do que foi o Rio Palace Hotel e hoje é o Sofitel, pra entrevistar o chef pâtissier Dominique Guérin, que, naquela época em que lá estive pela primeira vez, havia recém chegado ao Rio para trabalhar no Le Pré Catelan, a convite de ninguém menos que Gaston Lenôtre. É bem possível que algumas das pérolas que detiveram meu olhar naquele dia tenham saído das mãos de Dominique Guérin. Não pude deixar de pensar nisso enquanto o entrevistava. O homem que, em parceria com minha mãe, talvez tenha ajudado a me condenar à paixão pela pâtisserie - à eterna busca do melhor macaron, do sablé mais crocante, do mil-folhas perfeito -, décadas depois, me dá o prazer de conhecer a sensacional cozinha que divide com o chef Roland Villard e conversa comigo sobre sua trajetória, suas inspirações, sobre o papel da pâtisserie na nossa cultura, sobre planos pro futuro.

Bem, sobre minha conversa com Dominique mais não posso contar. Vocês poderão ler no perfil que será publicado na revista Prazeres da Mesa em breve. Por ora, o que eu queria mesmo dizer é que cada vez menos acredito no acaso...

 

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