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Quinta, 28 Junho 2018

Pujol, na Cidade do México: das minhas melhores lembranças da capital mexicana

Pujol México

Meu primeiro contato com o trabalho de Enrique Olvera aconteceu no Cosme, em Nova Iorque, há quase quatro anos, logo após sua inauguração. Na época, eu ainda não conhecia o México, mas tive a impressão de pela primeira vez travar um contato verdadeiro com a cozinha do país. Ainda que não se tratasse de reproduções fiéis de um receituário tradicional, minha refeição no Cosme foi algo completamente diferente de experiências menos autênticas vivenciadas antes.

No final do ano passado, em minha primeira ida ao México, reencontrei a cozinha de Enrique Olvera. Meu almoço no Pujol, o mais emblemático dos restaurantes do chef mexicano, foi um dos pontos altos da viagem e me rendeu uma das mais memoráveis refeições em minha curta temporada no país.

Pujol Mexico

Embora seja um restaurante absolutamente diferente do nova-iorquino Cosme, a sensação que me provocou o Pujol foi semelhante à que vivenciei no primeiro. Um menu de seis cursos me levou a um México a um só tempo tradicional e moderno, sem flertar com estereótipos, nem sucumbir a arroubos de invencionice.

Dos elotes com maionese de formigas chicatanas ao polvo com óleo de habanero e purê de ayocote (tipo de feijão); da infladita de lagosta com queijo, feijões e chorizo ao soberbo pato em recado negro (pasta de chiles queimados com especiarias, típica de Yucatan), não havia um único elemento que estivesse ali em vão.


Pujol Enrique Olvera

Pujol Mexico

Pujol Mexico

O prato que concluiu a etapa salgada da refeição, onde o mole madre, então com 1468 dias, de sabor redondo, maduro, dialogava com o mole novo, mais picante, algo defumado, na companhia de tortillas de hoja santa (planta nativa usada em tamales e várias outras preparações), é das coisas mais deliciosas que me recordo de ter comido nos últimos anos.


Pujol Mexico

Depois disso, eu não precisava de sobremesas, mas houve o bem-vindo frescor da granada com chile, abrindo caminho pro tamal de maçã, que seria responsável por um anticlímax, não fosse seguido por fabulosos churros – finos, crocantes, mais delicados, mas tão gotosos quanto os melhores exemplares que comi pelas ruas da cidade.

Pujol Mexico

Pujol Mexico

O menu degustação no Pujol me proporcionou um desses raros momentos em que quase me sinto convencida de que a fórmula não se esgotou, de que é possível através dela sermos levados a algum lugar onde ainda não estivemos.

Pujol – Tennyson 133, Polanco –C idade do México

www.pujol.com.mx

 

Domingo, 08 Abril 2018

À mesa na Cidade do México

Mercado de Coyoacán

Poucas coisas são mais prazerosas do que chegar a uma cidade pela primeira vez. O frescor da novidade, que se reproduz a cada esquina, é um combustível poderoso, aparentemente inesgotável. Nos dias que passei recentemente na Cidade do México, essa sensação me habitou até o último minuto da viagem. Tudo me parecia superlativo naquela mistura de poesia e caos.   

Do ponto de vista da experiência gastronômica, igualmente havia muito de inédito pra mim. E mesmo o que era mais familiar mantinha o frescor do ineditismo, afinal, a cozinha mexicana, embora tão presente em nosso repertório, é das mais ultrajadas mundo afora. Antes de estar no México, poucas vezes tive contato com reproduções que me parecessem dotadas de alguma autenticidade. Portanto, nessa primeira visita, mesmo aquilo que não era exatamente novo tinha o viço da estreia.

As manhãs começavam sempre com uma xícara de café e una concha – às vezes duas. O pão leve, macio, de crosta açucarada se torou um vício. Encontrei bons exemplares na Pastelería Amado e na Bakers.

Pasteleria Amado

Bakers Mexico

Nos corredores dos mercados (o de Coyoacán foi o que pude explorar com mais calma) tive oportunidade de ganhar intimidade com o universo de sabores que povoariam minhas refeições: das frutas, como mamey e granadilla, aos chiles, frescos e secos, passando por produtos como nopal e huitlacoche.

Mercado de Coyoacán

Mercado de Coyoacán

Mercado de Coyoacán

Mercado de Coyoacán

Nas calçadas, vivenciei o prazer da comida de rua, que ali se agiganta. Me encantaram os carrinhos de frutas, os irresistíveis cestos de churros e os incontornáveis tacos.

Diante da taquería Los Cocuyos, pé sujo que é a quintessência da comida callejera na Cidade do México, não havia como ignorar o cheiro do caldeirão onde imergiam praticamente todas as partes da anatomia bovina. Eu havia acabado de almoçar quando passei por ali, mas não pude resistir aos emblemáticos tacos de suadero.

Los Cocuyos

Taqueria Los Cocuyos

Logo ao lado da Los Cocuyos, a taquería El Huequito, embora turística demais (e capaz de atrocidades como a versão de taco servido em pão pita no lugar da tortilla), me rendeu os melhores tacos al pastor daquela temporada. Da porção avantajada não restou sequer uma migalha.

El Huequito

El Huequito

O clássico, aliás, se revelou em deliciosa versão no casual e vibrante Contramar, cujo cardápio é inteiramente dedicado a peixes e frutos do mar. Além de uma saborosa porção de mexilhões com chipotle, minha refeição ali se resumiu aos tacos de pescado al pastor – muitos deles.

Contramar

Contramar

Entre os restaurantes mais ambiciosos, o Pujol, do chef Enrique Olvera, me assegurou um almoço inesquecível – mas isso é assunto que merece outro post.

Pujol

Por fim, há que voltar aos churros, não só porque figuram entre minhas predileções, mas porque é preciso falar da Churrería El Moro, onde estive religiosamente todos os dias. A filial em Condesa, uma bela casa à beira do Parque México, foi minha última parada antes de me despedir da cidade e seguir pro aeroporto.

Churreria El Moro

Churreria El Moro

Era uma tarde luminosa de domingo e me detive ali por um bom tempo. Na companhia de seus indefectíveis churros (fritos na hora, chegaram às minhas mãos ainda quentes e crocantes), me deixei impregnar pela atmosfera do lugar. O som do bolero tomava o salão, as janelas descortinavam o vaivém das cadeiras de balanço espalhadas na calçada, onde gente de todas as idades celebrava a vida compartilhando aqueles pequenos bocados, num ritual aparentemente prosaico, mas tão fundamental. Naquele momento, não havia outro lugar onde eu desejasse estar.

Churreria El Moro

Churreria El Moro

 

Pastelería Amado – Campos Elíseos 204 (no lobby do hotel Hyatt Regency) – Polanco

Bakers – Miguel Angel de Quevedo 50 esq. Arenal – Chimalistac

https://www.bakers.mx/

Mercado de Coyoacán – Malintzin 19 – Coyoacán

Taquería Los Cocuyos - Calle de Bolívar 57 – Centro

El Huequito – Calle Bolívar 58 – Centro

http://www.elhuequito.com.mx/

Contramar – Durango 200 –  Roma Norte

http://www.contramar.com.mx/

Pujol – Tennyson 133 - Polanco

https://www.pujol.com.mx/

Churrería El Morohttp://elmoro.mx/

 

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