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Terça, 25 Novembro 2014

Estela, o novo restaurante do chef Ignacio Mattos em Nova York

Estela NYC

A nova casa do chef Ignacio Mattos, inaugurada em 2013, me proporcionou o que provavelmente tenha sido minha melhor refeição ao longo dos oito dias em que estive em Nova York no mês passado. Acompanhava sua trajetória desde a inauguração e desconfiava que o Estela fosse um dos endereços mais interessantes surgidos na cidade nos últimos anos.

Meio restaurante, meio wine bar, o lugar é pequeno, intimista. Não há muito espaço entre as mesas (assim como entre elas e o diminuto balcão) e a iluminação é escassa. Elegi, então, o brunch dos fins de semana, horário em que o salão é invadido por luz natural, o que me agrada mais que a penumbra do jantar. E ainda calhou de me acomodarem em uma das poucas mesas espaçosas que há ali, o que me poupou de atravessar algumas horas participando involuntariamente de conversas vizinhas. Quem não der a mesma sorte, talvez não tenha uma experiência tão prazerosa quanto a minha. Mas saiba que é só até a comida chegar. Diante dela, qualquer desconforto parecerá menos importante.

Estela NYC

Estela NYC

A ementa é enxuta, arquitetada em torno de pequenos pratos. Éramos três pessoas e compartilhamos vários deles, no que me pareceu ser a melhor maneira de explorá-la. A antítese da moderna ditadura dos menus degustação. Essa é, cada vez mais, minha fórmula ideal à mesa: garfos disputando os últimos pedaços, colheres pleiteando as derradeiras gotas de molho. Refeições, assim como a vida, me parecem melhores quando compartilhadas.

Mas voltemos ao que interessa: o que se come no Estela. Num universo em que modismos se repetem de forma entediante, Ignacio Mattos me parece ser alguém que não pretende fazer mais do mesmo. O que não quer dizer que se empenhe em vanguardices. Ao menos, não nessa nova empreitada. Sua toada é a de pratos concebidos com (aparente) simplicidade, voltados para a essência dos ingredientes, manejados por uma cozinha que não tem medo de ter sabor, não teme o uso de condimentos e sabe empregá-los com brilho e impressionante equilíbrio.

Foi assim com a salada de endívias crocantes com raspas de laranja, nozes, pecorino e anchovas. Delicada, cheia de frescor e muito saborosa. 

Estela NYC

O mesmo se diga das deliciosas tostadas de mexilhões (pão primoroso, molho idem), desses bocados que fazem a gente ter vontade de pedir bis.

Estela NYC

Talvez o momento de menor entusiasmo tenha sido a burrata com salsa verde, que, embora excelente, vinha equilibrada em fatia de pão muito amolecida pelo molho.

Estela NYC

Na sequência, o ponto alto do almoço: ovo, favas, pimentão, tomate, lascas de mojama, nacos de pão. A riqueza de sabores diversos dialogando e a exatidão do tempero - que não se excede, mas não se omite -  fizeram deste meu favorito.

Estela NYC

Ainda houve arroz negro com lula e romesco, uma beleza. E um tremendo sanduíche que só entra em cena no brunch de sábados e domingos: tebirke (que embora não igualasse os que comi na Dinamarca, era muito bom) recheado com abacate, pancetta e ovo.

Estela NYC

Estela NYC

A econômica seção de sobremesas propunha apenas panna cotta e bolo de chocolate com creme batido. Ficamos com o último. O creme, delicadíssimo, quase sem açúcar (creio mesmo que não tivesse açúcar algum), era o contraponto perfeito ao intenso e úmido bolo de chocolate.

Estela NYC

Ao pedir a conta, tinha a convicção de estar, de fato, num dos melhores endereços surgidos em Nova York nos últimos anos.

 

Estela - 47 East Houston Street.

 

http://estelanyc.com/

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