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Quinta, 14 Fevereiro 2013

Paris em pequenos bocados: Blend, Man’Ouché, Café Pouchkine, La Pâtisserie, Du Pain et des Idées

BLEND – A hamburgueria da moda em Paris não me impressionou. A alta expectativa – potencializada pela fila de quase uma hora, à espera de um dos poucos e disputados lugares –, talvez tenha tido peso na decepção, mas não acho que tenha sido só isso.

Blend Hamburger

Blend Hamburger

Experimentamos o Melt e o Cheesy. O primeiro trazia gruyère, cebolas caramelizadas e maionese de alho. Bom pão feito na casa, bom hambúrguer, embora pudesse estar menos passado. Sanduíche gostoso, mas não especial. Melhores hambúrgueres eu comi no Irajá, no Rio, e na Z Deli Sanduíches, em São Paulo, pra citar exemplos recentes. 

Blend Hamburger

Blend Hamburger

Quanto ao Cheesy, achei ruim mesmo, além de não entregar o que promete. O cheddar indicado no cardápio não era cheddar de fato, mas uma estranha mistura de creme, queijo e bacon...

Pode ter sido falta de sorte. O fato é que saí com a impressão de que a casa é mais fama que proveito.

MAN’OUCHÉ – Curioso como somos capazes de passar inúmeras vezes por um lugar sem enxergá-lo. Foi assim com o Man’Ouché. Tantas vezes cruzou meu caminho, e nunca havia atentado para o pequeno balcão na rue Rambuteau. Uma dica surrupiada de conversa alheia me levou até lá. Sim, confesso, sou dessas que prestam atenção em conversas de terceiros, seja nas redes sociais, seja nas mesas vizinhas em um restaurante. O mau hábito já me garantiu boas risadas, algumas reflexões e, eventualmente, dicas preciosas de lugares mundo afora. A do endereço em questão foi dada pelo Luiz Horta, já não lembro a quem, no Instagram. Anotei, fui conferir e, como gostei, ponho na roda.

Man'Ouché  Man'Ouché

Como eu dizia, trata-se de um pequeno balcão cuja estrela é o manouche, especialidade libanesa, um tipo de sanduíche feito com pão assado na hora na chapa saj. Vê-se a fina folha inflando, debaixo de uma camada generosa de azeite e zaatar – o recheio mais tradicional. O meu recebeu ainda uma porção providencial de coalhada seca.

A apoteose da comida de rua: rápido, barato e gostoso, muito gostoso.

Man'Ouché  Man'Ouché

CAFÉ POUCHKINE – Milagrosamente, havia dois lugares à nossa espera junto ao diminuto balcão da filial parisiense do café de Moscou. Pude, enfim, experimentar famoso o Medovick, bolo russo que alterna deliciosas camadas de biscuit de mel de trigo sarraceno com uma espécie de creme azedo e um doce à base de leite e caramelo. Uma delícia.

Café Pouchkine

Café Pouchkine  Café Pouchkine

LA PÂTISSERIE – Na confeitaria do chef Cyril Lignac, tudo é esteticamente impecável. Nem tudo é tão gostoso como a estampa pode sugerir. Da linha mais autoral, nada do que provei me entusiasmou muito. Mas experimentei ali um bom cookie e um ótimo kouign-amann.

La Pâtisserie by Cyril Lignac

La Pâtisserie by Cyril Lignac

DU PAIN ET DES IDÉES – Eis o tipo de padaria que, em momentos de surto de otimismo, eu espero ter um dia no meu bairro. A fila na entrada, a frase presa à porta (“Parce que la boulangerie est affaire d’amour et de poésie...”) e o bom gosto do salão à moda antiga antecipam o que se vai encontrar ali.

Du Pain et des Idées

La Pâtisserie by Cyril Lignac

Era começo de janeiro e as galettes de rois tomavam conta das vitrines. Minha escolha não poderia ser outra. Massa folhada perfeita, soberbo recheio de amêndoas. Esse, o sublime bocado com que me despedi de Paris desta vez.

Du Pain et des Idées

Du Pain et des Idées

 

Blend – 44 rue d'Argout – 2ème

http://blendhamburger.com/

Man’Ouché – 63 rue Rambuteau – 3ème

Café Pouchkine – 64 Boulevard Haussmann (dentro da Printemps) - 9ème

http://www.cafe-pouchkine.fr/

La Pâtisserie by Cyril Lignac – 24 rue Paul Bert – 11ème

http://www.lapatisseriebycyrillignac.com/

Du Pain et des Idées - 34 rue Yves Toudic – 10ème

http://www.dupainetdesidees.com/

Sexta, 12 Novembro 2010

Paris em pequenos bocados

Depois de uma deliciosa jornada pela Itália, parti pra um pit stop obrigatório em Paris, antes de voltar pra casa - comigo é assim: se eu for à Índia, dou um jeito de voltar por Paris. Além dos restaurantes que visitei, fiz o percurso de sempre por cafés, mercados, confeitarias, padarias... Conto agora por onde andei.

Estive na Bread & Roses, que me parece uma queridinha dos parisienses. Aos pés do Jardim de Luxemburgo, o ambiente é charmoso, acolhedor. Não há como não entrar diante do convidativo e colorido balcão, repleto de pães, doces e tortas salgadas que, certamente, estão entre as mais caras de Paris. Mas, apesar de serem boas, acho que não valem o que custam. Principalmente numa cidade onde com pouco mais de 30 euros é possível fazer uma bela refeição em alguns de seus melhores bistrôs...

Fui conhecer o Breizh Café, crêperie de Cancale, que trouxe a Paris (mais especificamente, ao Marais) seu savoir-faire e exibe um vasto cardápio de crêpes e galettes no melhor estilo bretão, feitos com trigo sarraceno, sempre dourados e crocantes. Como a saborosa galette de presunto, queijo, ovo e confit de cebola, e a crêpe de caramel au beurre salé, finíssima, apenas coberta com fios de caramelo e quenelles de chantilly. Pra que mais?

Amanheci com o croque-monsieur do Café Mabillon, acomodada de frente pro Boulevard Saint-Germain. Uma delícia. Só não sei se faz jus à fama que muitos lhe atribuem de melhor croque-monsieur da cidade...

Revisitei uma das minhas padarias favoritas, a Le Grenier à Pain, em Montmartre, na deliciosa rue des Abesses. Foi ali que comi meu primeiro croissant, na primeira vez em que estive em Paris, lá se vão alguns anos. Ali, comprei-os fumegantes, toda manhã, ao longo das duas semanas em que estive na cidade na época. Portanto, não nego que tenho uma ligação afetiva com o lugar, o que me faz quere voltar sempre. Mas as filas diárias na porta deixam claro que sou apenas uma entre os muitos fãs daquele endereço, que, aliás, abocanhou esse ano o prêmio de melhor baguete de Paris.

Por falar em revisitar, fiz minhas paradas obrigatórias na Ladurée e no Pierre Hermé e, além de muitos macarons, me abasteci do que já é um novo favorito na minha vida: o sablé de chocolate com flor de sal de Hermé. É caro, caro, caro. Mas é também absurdamente bom.

É claro que não sairia de Paris sem ir conhecer as duas pâtisseries mais comentadas do momento.

Na Hugo & Victor, tem-se a sensação de se estar entrando numa imponente joalheria. De fato, cada uma das criações do chef pâtissier Hugues Pouget é tratada e exposta como joia. Um trabalho esteticamente fabuloso. Mas confesso que, do que experimentei lá, apesar de tudo estar bom, nada me entusiasmou.

Já a Pâtisserie des Rêves, uma das confeitarias parisienses mais elogiadas no último ano, essa me impressionou. O projeto é original e surpreendente. Os doces ficam expostos em cúpulas de vidro suspensas pelo teto, o que confere à confeitaria uma bem-vinda ludicidade, que acaba por atrair olhos adultos e meninos, causando em ambos o mesmo encantamento. Li um depoimento de Thierry Theyssier, criador da Maisons des Rêves, grupo a qual pertence a loja, em que dizia que a ideia era a de remeter o "balcão" a um carrossel. Grande ideia, belo resultado. Por trás de tudo, o talento do chef pâtissier Philippe Conticini, que traz os clássicos da pâtisserie francesa sob nova abordagem. O Paris-Brest e a tarte Saint Honoré são, simplesmente, os melhores que comi nos últimos tempos. Recomendo com todas as minhas forças.


Bread & Roseswww.breadandroses.fr
Breizh Caféwww.breizhcafe.com
Café Mabillon – 164 Boulevard Saint-Germain – 6ème
Le Grenier à Painwww.legrenierapain.com
Pierre Herméwww.pierreherme.com
Hugo & Victorwww.hugovictor.com
Pâtisserie des Rêveswww.lapatisseriedesreves.com

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