Pra quem quiser me visitar....
  • De São Bartolomeu a Belo Horizonte: Minas Gerais, antídoto contra a superficialidade
  • Uma nova geração de padeiros no Rio de Janeiro: Araucária Pães Artesanais e Maison do Zé
  • Provence: o mercado de Saint-Rémy
  • Curiango Venda e Cozinha: uma bela história de êxodo urbano na Serra da Bocaina
  • Aïoli no Bistrot du Paradou
  • “Redefinindo Sustentabilidade”: Parabere Forum chega à terceira edição debatendo a igualdade de gênero na gastronomia
  • yam'Tcha, em Paris: no tempo da delicadeza
  • A Casa do Porco Bar: Jefferson Rueda finalmente em casa
  • Restaurante Roberta Sudbrack fecha as portas no Rio de Janeiro: o fim pode ser uma ponte?
Sexta, 27 Maio 2011

Boulud Sud: um jantar memorável na nova casa de Daniel Boulud

Não é sempre que se dá a sorte de estar em Nova Iorque na semana de inauguração de um restaurante de Daniel Boulud. Como nossa companheira de jantar era a Alexandra Forbes, não só conseguimos reserva já pra segunda noite de vida do Boulud Sud, como fomos recebidas pelo próprio Daniel, que cuidou pessoalmente do nosso menu.

Pelas circunstâncias em que se deu o meu jantar, seria difícil fazer um relato absolutamente imparcial ou puramente objetivo. Mas, pra falar a verdade, apesar de a objetividade e a isenção serem metas que persigo, cada vez mais eu me convenço de que gosto é algo bastante pessoal e de que tudo o que se passa em torno de uma mesa é sempre, em alguma medida, permeado por subjetividades. E por mais uma infinidade de fatores que podem levar duas pessoas sentadas à mesma mesa a terem experiências diversas. Ainda assim, achei que seria importante deixar claro ao leitor que lá estive na companhia do chef e, mais, a convite dele. Dito isso, só me resta tentar expressar da forma mais fiel possível o que foi o meu jantar no Boulud Sud.

O ambiente não tem o menor charme. A trilha sonora era estranha e os sofás e cadeiras com ar de escritório não ajudavam. Diante da comida servida ali, tudo isso me pareceu menos importante. O cardápio se debruça sobre a cozinha mediterrânea, mas não através das obviedades a que estamos acostumados em tantas casas que a elegem como especialidade. Trata-se de um panorama interessante, que percorre desde a Espanha até o Marrocos, passando por França, Itália, Grécia, Turquia, Líbano. Um cardápio bastante longo. Perigoso, portanto. A primeira questão que nos ocorreu: será que Boulud domina mesmo tantas diferentes linguagens? Perguntamos. Ele riu e disse que não fazíamos ideia dos lugares por onde ele anda. A sequência de pratos esclareceria.

É claro que presenciei alguns pequenos deslizes (como o polvo à la plancha, cuja cocção estava um tom acima do ponto) e que nem tudo me arrancou interjeições (como as alcachofras fritas e o vitello tonnato, que me pareceram inexpressivos diante de tudo mais que provei ali). Mas, de modo geral, foi um belo jantar. A excelência de um grande restaurante estava em cada mínimo detalhe. Admirável pra uma casa com dois dias de vida. O mesmo se diga do serviço. Os garçons já tinham na ponta da língua todos os ingredientes de cada prato. Não houve perguntas sem respostas. E olha que não perguntamos pouco. Mas vamos ao que interessa.

Começamos com um couvert tão simples quanto indispensável. De um lado, um tanto de azeite. De outro, focaccias aromatizadas com alho e deliciosos pãezinhos marroquinos, que eu não conhecia, mas que em muito se assemelham ao Naam indiano, que eu adoro.

Quem diria que um francês se daria melhor entre tabules e babaganuj do que numa clássica ratatouille. Pois foi exatamente o que vi. A ratatouille, coroada com belo ovo pochê, estava boa, mas perdia o brilho perto do excelente creme de berinjela, de textura e sabor elogiáveis, e dos delicadíssimos tabules, servidos em duas versões: a tradicional e a de couve-flor com frutas secas, ainda melhor.

O vermelho recheado de cogumelos, grelhado envolto em papel de cedro (o que lhe conferia um aroma especial) e o delicadíssimo bacalhau em crosta de zaatar, servido sobre iogurte grego, arrancaram da mesa algumas exclamações.

Por fim, leves orechiette artesanais com um saboroso ragu de cordeiro. E um dos melhores pratos da noite (que, de tão bom, me fez esquecer completamente de sacar a câmera): fatias macias, rosadas e suculentas de um delicioso lombo de cordeiro, temperado sutilmente com harissa, acompanhado de purê de berinjelas tostadas e finalizado com o frescor de um molho de iogurte.

Das três sobremesas, a mais fraca era a Cassata: mousse de ricotta, sorvete de café, bolo de chocolate e uma enjoativa espuma de cardamomo. A tortinha de semolina com mangas era muito melhor. E ainda coroada por um ótimo sorvete de leite de cabra.

Mas a grande surpresa ficou por conta da Grapefruit Givré. A casca formava uma cúpula recheada de um leve e perfumado sorbet da própria fruta e um creme de halawa. A cada colherada a combinação me parecia ainda mais feliz. A cereja do bolo: lúdicos cabelinhos de algodão doce de halawa. Desfecho sublime de um jantar único.

 

Boulud Sud – 20 west 64th street (entre Broadway e Central Park West)
http://www.danielnyc.com/boulud_sud.html

As atualizações do blog também estão no meu twitter.

Deixe seu comentário:
© 2012 Pra quem quiser me visitar - Todos os direitos reservados - Design de Branca Escobar

Envie para um amigo:

*
*

Fale comigo:

*

Assinar Newsletter:

Remover email: