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Quinta, 23 Junho 2011

A febre dos haute burgers em Nova Iorque

Tem muita gente que alimenta a maior implicância com lugares que repaginam ícones da junk food, colocando-os, digamos, em roupa de festa. Quanta reclamação ouvi nos últimos anos por causa da enfeitada de pavão que Daniel Boulud deu no velho e bom hambúrguer no seu DB Bistro Moderne... Confesso que esse tipo de questão, guardadas certas ressalvas, não costuma me afligir. Adoro, por exemplo, comer o hot dog da carrocinha da esquina ou depositar minha felicidade no eterno favorito Gray’s Papaya, mas não me incomoda nem um pouco ver o sanduíche passar por uma adaptação, desde que por mãos que conduzam o processo com um mínimo de sabedoria. Se prevalecer o bom senso na escolha de ingredientes, se não houver a pretensão de transformar a comida em algo que ela não queira ser, enfim, se o resultado for bom, pra mim, tá valendo.

Nessa passagem por Nova Iorque, eu tinha na minha lista pelo menos três nomes que, nos últimos anos, têm feito a alegria da turma que não se incomoda em ver um bom hambúrguer ir além do trivial. Fui conferir um a um. Até pra ver se valem quanto custam – afinal, o banho de loja garante contas alguns dólares mais gordas que a de qualquer lanchonete de bairro...

No DBGB, a julgar pela noite em que estive lá, eu diria que não vale não. A casa de Daniel Boulud tem charme pra dar e vender e é sucesso absoluto de público. Mas, à exceção de uma ótima entrada que abriu brilhantemente o meu jantar, tudo mais se revelaria apenas mediano, sempre um tom abaixo do esperado. Com meu Piggie Burger não foi diferente. O sabor esperado do hambúrguer feito com carne de porco desfiada (após longa cocção a baixa temperatura) ficou na promessa...

Já no Breslin, da chef April Bloomfield, como contei aqui alguns posts atrás, comi, entre outras maravilhas, um dos melhores hambúrgueres da minha vida (esse aí em cima, na foto que abre o post). A carne de cordeiro, rosada e saborosa, com um toque de cominho, veio coroada por rodelas de cebola e uma fatia de queijo feta apenas. Tudo dentro de um pão rústico dos melhores. E na companhia de batatas fritas fabulosas. Não é à toa que a moça já foi chamada de burger queen...

Tão bom quanto o burger de Bloomfield - ou até melhor - foi o que comi no Minetta Tavern. O lugar me ganhou de cara. Keith McNally é mestre em recriar ambientes vintage sem soarem falsos. No Minetta, a meia luz, as fotos em preto e branco, as caricaturas e as paredes cobertas por ilustrações esmaecidas dão o tom. Não me espantaria se um incauto acreditasse ser ainda a mesma taverna que lá esteve sessenta, setenta anos antes e em cujos balcões bebeu gente do naipe de Ernest Hemingway.

Mas não foi só no ambiente que a casa me ganhou. Sua cozinha impõe respeito. Como não estávamos ali pra brincadeira, começamos com uma porção de tutano de boi, que era coisa pra gente grande. Só ela já nos bastaria...

...mas era preciso provar o famigerado Black Label Burger, feito com dry-aged beef. Nada distraía a atenção do colossal sabor daquela carne, que estava no ponto perfeito e encontrava um sutil – e feliz – acréscimo na doçura das cebolas caramelizadas. Barato não foi, mas valeu cada centavo.

 

DBGB – 299 Bowery (entre Houston e 1st street)
http:/www.danielnyc.com/dbgb.html

The Breslin - 16 west 29th street (entre Broadway e Fifth Avenue) – no lobby do Ace Hotel
http:/thebreslin.com/

Minetta Tavern – 113 MacDougal street (entre Bleecker e 3rd street)
http:/www.minettatavernny.com/

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Quinta, 02 Junho 2011

The Breslin – o melhor brunch de Nova Iorque

É claro que não experimentei todos. Mas, ao menos pra mim, está decidido: é no Breslin que se serve o melhor e menos óbvio brunch de Nova Iorque. E é a ele que voltarei sempre que tiver uma oportunidade. Até porque, por trás da casa, está uma das chefs mais admiráveis daquela cidade.

A inglesa April Bloomfield, que há alguns anos causou frisson com seu Spotted Pig, tornou-se, do alto de seus trinta e poucos anos, a rainha dos gastropubs em Nova Iorque. Ao inaugurar a segunda casa em 2009, no lobby do Ace Hotel, a moça rapidamente ampliou sua coleção de estrelas Michelin, deixando muito claro a que veio. Conhecida por seu perfeccionismo, é detalhista ao extremo, quase uma obsessiva. Dona de uma disciplina militar. Tudo isso se reflete na perfeição de cada detalhe do que é servido no Breslin. Sua cozinha não comporta invencionices. Faz comida de verdade, com soberba execução e apuro no sabor.

As figuras de porcos e outros bichos espalhadas pelo escuro salão e a soberania da carne no cardápio remetem à inspiração na filosofia de Fergus Henderson (rei do conceito “nose to tail eating”) e sugerem um tanto da alma do trabalho de Bloomfield. Estive lá numa manhã de domingo, longe do horário em que entram em cena terrines e pés de porco. Mas se engana quem esperar do brunch do Breslin omeletes entediantes ou os waffles de sempre. Ali se faz comida pra gente grande, seja qual for o horário. 

Ao nos acomodarmos, eu e minha companheira de mesa nos vimos diante do desejo de abraçar todas as possibilidades do enxuto cardápio. Logo se imporia a inevitável aflição da escolha. Diante do nosso dilema, a garçonete não resistiu e declarou: “We love women who eat”. A frase, de certa forma, selava o espírito do Breslin.

Começamos com iogurte grego, leve como uma nuvem mas muito cremoso. E acompanhado de ótimo mel, frutas maceradas e praliné de pistache. 

Seguimos com as panquecas de ricota. Não eram quaisquer panquecas. A massa feita com polenta recebia um banho de deliciosa marmelada de laranja e, ainda, lâminas de amêndoas tostadas e creme de ricota.

A coisa ficou mais séria com o “Grilled 3 cheese sandwich”, um senhor sanduíche de Idiazabal, queijo raclette e Montrachet, lindamente gratinado com parmigiano. Com mostarda e os ótimos picles.

Poderíamos ter parado ali, mas não somos de deixar por menos. Afinal, April Bloomfield já foi chamada de “burger queen” e eu não sairia dali sem conferir a fama. A prova veio com um hambúrguer de cordeiro que era um assombro. Carne rosada e suculenta, temperado com cominho, coberto apenas por uma comedida fatia de queijo feta e poucas rodelas de cebola, e abraçado por duas fatias crocantes de um pão rústico perfeito. Um dos melhores hambúrgueres que já comi. O mesmo posso dizer das impecáveis batatas-fritas que o acompanhavam. De perder o juízo. 

Encerramos com doughnuts. Os de April, delicadíssimos, são algo como bolinhos de chuva que passaram por um banho de leveza. Acompanhados de molho de chocolate, maple syrup e caramelo salgado.

Uma das refeições mais prazerosas de que tenho lembrança ultimamente. Isso não é pouco.

 

The Breslin – 16 west 29th street (entre Broadway e Fifth Avenue) – no lobby do Ace Hotel
http://thebreslin.com/

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