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Quinta, 16 Dezembro 2010

Le Chateaubriand: um dos melhores restaurantes do mundo?

Por mais que eu tente não me influenciar muito por prêmios e rankings de gastronomia, essas coisas acabam exercendo seu poder, ainda que de forma subliminar. Difícil escapar completamente das expectativas que essas listas acabam por gerar em torno de certos restaurantes. Com o Le Chateaubriand, neobistrô de Iñaki Aizpitarte em Paris, não seria diferente. Figura aclamada pela imprensa especializada, Aizpitarte alçou seu restaurante à 11ª colocação no ranking da revista inglesa Restaurant, que elege, anualmente, os melhores do mundo. Não há na França restaurante com melhor colocação. Tenho cá meus questionamentos a respeito da lista, mas sua projeção é inquestionável. O 11 estava lá, carimbado na minha memória, quando cruzei as portas da casa.

O lugar é extremamente simples, como manda a cartilha da bistronomie. Mas acolhedor, vibrante. A partir de certo momento da noite, quando o diminuto salão lota e pessoas se espremem no balcão à espera de uma mesa, eu diria que é vibrante até demais. A ponto de o ruído se tornar um incômodo.

O cardápio é único e muda constantemente. Um menu de cinco passos em torno daquilo que o chef decide cozinhar naquele dia, de acordo com sua inspiração e o que há de melhor e mais fresco no mercado. Voilà.

Gougères quentinhas, douradas, levíssimas. Estão, certamente, entre as melhores que já comi.

Cogumelos frescos, foie gras ralado e avelã. Simples e bom. Nada além disso.

Um delicado vermelho em perfeito ponto de cocção. Já não me lembro sobre o que o peixe repousava... A memória me traiu – e o caderno de anotações não me socorreu.

Lulas e aspargos escondidos numa perfumada floresta de ervas (salsinha, hortelã, cebolinha, aneto), cobertos pela tinta da própria lula. Um dos melhores pratos da noite.

Uma observação. À medida que a noite avançava, o serviço ia ficando cada vez pior, chegando a beirar o caótico. Garçons atrapalhados, tensos, trombando uns nos outros. Os intervalos entre os pratos foram ficando cada vez mais longos, quebrando o ritmo da refeição. Mas, voltando a ela...

Seguimos com um atum semi-cozido (novamente precisão na cocção) com tomatinhos doces, azeitonas, berinjela, cubinhos de maçã verde. Um prato cheio de frescor.

Cordeiro e vegetais, uma bela aquarela. O purê de berinjela defumada, era especialmente interessante.

A primeira sobremesa era uma delicadeza. Frutas vermelhas, suspiros e pedacinhos de financier, cobertos por um pó de framboesa.

A seguinte, um sorvete de milho com farofa crocante, era bem pouco doce. Quase salgada. Ainda assim, dentro de sua estranheza, gostosa.

Le Chateaubriand

Trata-se de uma cozinha minimalista, delicada e cheia de sutilezas. Foco no produto. Técnica precisa. Mas que não me entusiasmou como eu esperava. O número de vezes em que precisei recorrer ao meu caderno de anotações enquanto escrevia essas linhas me deixa certa disso: não me marcou a alma nem a memória. Faltava alguma coisa. O que me fez pensar que, nem sempre, ingredientes de grande qualidade e técnica impecável, alinhavados pela competência de um chef em um grande momento, bastam pra produzir pratos marcantes. Faltou ali um um je ne sais quoi a costurar tudo isso e transformar numa refeição memorável.

Eu observava o gestual de Aizpitarte na cozinha e não tinha dúvida de sua entrega àquele ofício. Mas a mim, naquela noite, não se revelou a genialidade que tanta gente vê nele. Saí dali com a certeza de que o mundo é das diferenças.

Vão ao Le Chateaubriand, vejam com seus olhos, tirem suas conclusões. Vocês podem gostar mais ou menos, mas, indiferentes, certamente, não ficarão. E isso já é uma grande coisa.

Le Chateaubriand – 129 Avenue Parmentier – 11 ème

 

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