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Quinta, 13 Outubro 2011

Akrame: uma das boas inaugurações do ano em Paris

Uma das minhas gratas surpresas durante essa passagem por Paris foi o restaurante Akrame. Aberto no primeiro semestre, tem sido considerado uma das melhores inaugurações do ano por gente que entende do riscado. Ao contrário do que pode sugerir o estranho vídeo em seu website, o chef Akrame Benallal (discípulo de Gagnaire e Adrià) se revela um sujeito simples, despido dos cacoetes que costumam vir no kit jovem-chef-festejado-pela-mídia.

O salão é moderno, elegante, mas meio frio. As cadeiras com cara de escritório de multinacional e a predominância do cinza e do preto conferem um ar meio corporativo ao ambiente. As gravatas que tomam conta de grande parte das poucas mesas parecem mesmo bastante à vontade ali. Esses detalhes, no entanto, soam menos importantes quando a comida começa a ser servida. O calor vem de onde tem de vir: a minúscula cozinha, aberta pro pequeno salão. É ali que Akrame deixa seu recado. Cocções precisas, diálogos sutis e sabor, muito sabor. Um chef que transita entre simplicidade e ousadia com a mesma desenvoltura.

Meu almoço de três cursos (por 35 euros) teve como amuse bouche deliciosos sablés de parmesão com queijo de cabra.

O tartare de dourado (com notas sutis de limão e coentro) em espuma de tinta de lula e bouillon de peixe era perfumado, equilibrado. Acompanhado de um cremoso risotto de tinta de lula que me fez quase pedir bis.

Na sequência, soberba galinha d’angola em caramelo de mostarda, com chips de batata e um purê de batatas defumadas que está entre os melhores que comi ultimamente.

A esta altura, a cozinha de Akrame já tinha feito de mim uma fã. O nocaute ficaria por conta da sobremesa. Quando vi que figos, framboesas e creme de confeiteiro contracenavam com tinta de lula e azeitonas negras, tive certeza de que aquilo não poderia dar certo. Mas como é bom se surpreender. O frescor das frutas, a espuma quase etérea de tinta de lula, a leveza do creme, a doçura de uma espécie de tapenade de azeitonas e figos e um incrível sorvete, também de azeitonas – tudo dialogava, contrariando as expectativas. O prazer de presenciar um desses raros momentos em que a ousadia produz algo sublime.

Ao final do almoço, a vontade era começar tudo de novo. Saí achando o salão até acolhedor...

 

Akrame - 19 rue Lauriston - 16ème
http://www.akrame.com/

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